Terça-feira

Palavras ou ações? (7)



Gilvan Alburquerque

Palavras são lançadas como flechas. O arqueiro está furioso. Mas quais são seus motivos? Quem sabe? Assim é o anunciar do evangelho contemporâneo. A beleza e a plástica ao anunciar são inegáveis, e muitas são suas vitimas, porém, os motivos não são elucidados na ação. Flechas são disparadas em todas as direções.

Nós cristãos precisamos de atitudes que suplantem nossas palavras, precisamos reconhecer nossas fraquezas e limitações e assumi-las diante da vida. Devemos direcionar o arco. Sem deixar a voracidade peculiar daquele que por essência é agressor.

Vivamos nossas vidas sem a angustia da falta de causa. Afinal, nós somos um motivo relevante. Que o Cristo conclamado pelos cristãos possa fazer nascer em nossos corações o mesmo espírito que habitou nele. Espírito que o fez servo de homens e mulheres que não o entendiam e que apesar de tudo continuam sem entender que a voz do evangelho não é constituída de belas palavras, mas de ações efetivas cujo objetivo é tornar a vida do próximo digna e melhor. Aí está Deus. Deus não cura apenas corpos e almas feridas. Deus é a cura para todos os inadequados do mundo. Deus é a cura para quem o amor é apenas uma palavra bonita. Deus é a solução dos problemas inexplicáveis e insolúveis, pois a paz que temos nele independe das circunstancias.

Quarta-feira

O amanhã é hoje.




Há tempos em que o tempo não é bom. Gasto tempo pensando no tempo, que já se foi. Foi tempo bom, mas, já, há muito tempo. Naquele tempo o tempo não era tempo, para brincar sobrava, mas para estudar não tinha. Hoje o tempo passa, como sempre passou, mas por não sobrar tempo, eu vejo, que não o vejo passar. As horas estão submissas ao tempo que passa cada vez mais depressa. Será que há um minuto menor que outro? Não! Ou melhor, sim! Dependem das circunstancias e do tempo em que estamos.

Um minuto intenso é melhor do que um mês sem graça, o tempo no qual o sorriso se dá é capaz de fazer toda uma vida ser cheia de alegria, no entanto um momento de cólera torna a alegria do tempo presente em lembranças. Como dizia Cazuza: “o tempo não para, não para, não”.Eu sei que corre a era, que hoje, não mais é. Tudo está passando, há cinco minutos, coloquei a primeira palavra. E quando eu terminar? Serei velho? Sei que o tempo é intenso e cruel; prolonga a dor, e às vezes a faz passar. Tempo, quais são seus sinônimos? Aurélio diz que são muitos, entretanto não vejo um, que traga sua bagagem e experiência. Há tempos eu não me vejo sem pensar no tempo que não para de passar. Alguém segure o tempo! Puatz, já passou!

É tempo de viver a vida e saber que a felicidade não está apenas no final da jornada, porque a felicidade é o próprio caminhar.



Gilvan Albuquerque

(fotos de internet)

Quinta-feira

A teologia e a vaca. (6)




A teologia cristã também tem suas vacas sagradas, e pobre daquele que ousar tocar no pitoresco bicho. Por incrível que possa parecer nossa teologia, apesar de cristã, também divinizou a mimosa. Vacalógicamente falando, podemos dizer que, perguntar ou refutar no meio cristão, infelizmente, têm a mesma repercussão que teria uma churrascaria na Índia.

Se questionarmos o que o ‘profeta’ disser, estaremos indo contra a palavra de Deus. Se duvidarmos, não temos fé. Foi criado um campo-de-força ao redor dos sacerdotes para que não haja perguntas ou refutações. Tudo é sacramento. E engana-se quem pensa que falo dos nossos irmãos católicos. As vacas sagradas nesse caso são protestantes, ou melhor, não.

Uma das evidencias da vacalidade a qual me refiro é, simplesmente a cara de horror quando um cristão-comum é questionado a respeito do blasfemar contra o Espírito Santo, ou outros temas polêmicos. Nessa hora surge - do nada - uma comitiva de anjos, todos ao redor da vaca, com espadas desembainhadas, dizendo: Aqui ninguém toca!

Parem de aceitar respostas subjetivas, parem de chorar suas agonias com medo dos fundamentalistas herbívoros. Não tenhas medo de perguntar! Debruce-se sobre o Livro e reflita. Questione-se e questione! Sócrates disse: “A sabedoria começa na reflexão”.

Gostaria de escrever um pouco mais, para quem sabe, conseguir deixar o texto mais coeso, mas estou ruminando, ruminando e minhas ideias não se alinham. Confesso que eu estou pensando na indefesa vaquinha.
E aí, vamos fazer um churrasco?

Gilvan Albuquerque

Terça-feira

Liberdade. (5)



"Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade”. II Co 3.17.
Lindo versículo! Entretanto, a exegese aplicada, não condiz com o verdadeiro sentido das escrituras. Os pregadores (pentecostais principalmente), citam-no na esperança de obter maior receptividade e consequentemente, um retorno positivo dos ouvintes em suas pregações. No entanto, quando nós lemos a bíblia sem aquela velha hermenêutica herdada dos movimentos religiosos, conseguimos obter uma melhor interpretação, desprovida de tendências, e isso nos encaminhará ao amor e a graça de Deus, sem aquele peso da religião. Devemos entender que quando a bíblia diz; onde está o Espírito de Deus, aí há liberdade, o contexto sinaliza que a liberdade é um conceito, não um conjunto de regras. Liberdade é ser livre!

Somos livres; em, por e para Cristo. Não há motivos para devoções-carcerárias, porque nós herdamos essa liberdade do mestre, e graças a isso, podemos almoçar com os enfermos, falar com prostitutas, aconselhar pessoas de caráter duvidoso e chorar com os que choram, sem levar em conta a relevância de seus motivos. Afinal, nós somos livres, e nossa liberdade pode ajudar ao próximo, e isso, sem a pretensão de tira-lo do mundo, porque ser cristão não é, estar fora, mas, dentro, vivendo os conceitos ‘santos’, herdados do Cristo Filho de Deus.

Graça. Por ela; eu sou livre da apostasia e do fanatismo; sou livre da fraqueza e da força do meu-eu, sou livre da riqueza e da pobreza, sou livre, porque meu coração não está em coisas palpáveis, sou livre, pelo sangue que verteu na Cruz. Sou livre!
“Se, pois, os Filhos vos libertar, verdadeiramente sereis livres” Jo 8.36.

Gilvan Albuquerque.

(fotos da net)

Quarta-feira

O que Deus quer de mim? (4)



O que Deus quer de nós? Essa pergunta há muito tempo deixa teólogos confusos. Alguns até tentaram responder, mas suas respostas, ou são fantasiosas ao extremo, ou subjetivas demais, e isso faz com que nós, pessoas comuns, fiquemos sem parâmetros. Talvez um cristão mais tradicional me diga para procurar na bíblia, porque a bíblia é a palavra de Deus. Eu concordo com isso, no entanto, o que questiono não são os escritos, mas suas interpretações individualistas e genéricas.

Outro dia, enquanto escutava o sermão de um pregador pentecostal “muito querido”, ouvi-o dizer que nós evangélicos precisamos fazer de tudo para agradar ao Senhor. Confesso que a partir desta frase eu me desconcentrei no que estava sendo dito e viajei, viajei para um longínquo lugar chamado: ’Terra da Moralidade’.Este subjetivo espaço é visitado pela maioria dos cristãos que querem fundamentar seus argumentos dentro de um contexto moral. Esta moralidade é bem semelhante ao evangelho, a não ser por uma coisa; regras! O evangelho é moralmente lindo, porque é o conceito, a essência. No caso da moral ela por si só, é apenas um conjunto de regras estabelecidas pelo meio em que vivemos e por nossa consciência, que é exclusa da razão e moldada através de padrões humanos, herdados de um senso comum que na minha opinião está longe de ser o evangelho de Cristo.

Para agradar a Deus não é necessário apenas moral e ética, o primordial é uma maior absorção da carne e do sangue, comer e beber Cristo, ser mudado nas estruturas, provar da graça de Deus. Se constantemente nos alimentarmos do Pão e do Vinho, seremos cristãos genuínos, onde o conceito suplanta as regras. Acho que a palavra ‘agradar’ é muito forte, porque não consigo enxergar nada no ser humano que possa agradar ao Senhor. No entanto, ‘agradaríamos’ muito mais, se fossemos menos preocupados em ser diferentes, e nos livrássemos de nossos complexos de impureza e aceitássemos a graça de Deus, que conscientemente nos aceitou, mesmo sabendo que somos fracos, confusos, inconstantes, murmuradores, dissimulados e mentirosos.

Deus sabe que estamos longe do ascetismo dos monges tibetanos, mas por alguma razão que somente ele pode explicar, somos inteiramente amados e compreendidos por Ele. Deus é amor.

Gilvan Albuquerque.

Qual é a cara do ladrão? (3)



Qual é a cara do ladrão? Pergunta que extirpa meu sono e me faz tremer no verão. Será que ele existe? Acho que não. O ladrão é aquele que não aparece, mas deixa tristeza quando passa. No país chamado Brasil, ele tem endereço e colarinho. Ele é reeleito e vive a promulgar moralidade, porque ele é ladrão, mas é honesto e trabalhador.

Vejo o garoto na rua esperando pelo futuro enquanto mendiga o hoje para poder viver o amanhã, que de futuro só tem o tempo, pois a expectativa morreu atropelada pelo caminhão do desengano.

‘Dos filhos deste solo é mãe gentil?’ Creio que não, porque é rica ó pátria. Porém lhe pergunto quem são estes a quem abrigas? Primatas comedores de penhor. Vocês parecem os tanques de Opala, só querem saber de gasolina. Se tu és deusa como permite que tais habitem sobre seu tapete? Apenas as mães destes, são capazes de ama-los. A morte é ovacionada no silencio das más atitudes. O cheiro de enxofre emana de seus poros rudes. O choro da incompreensão é incompreensível. És tu Diana? Deusa chorosa e mentira cantada ao interior do meu eu. Como podes ser Brasil e Brazil ao mesmo tempo? É terra para inglês ver.

Por que não se mostra aos tupiniquins de sua aldeia? Seja pajé de nossa tribo e nos ensine a amá-la sempre. Tu és querida, pátria amada.

Gilvan Albuquerque.

(fotos, da net)

Sexta-feira

Lembranças do Pai. (2)


Por Gilvan Albuquerque.


Tenho muitas lembranças de minha infância, e as melhores, foram aquelas que aconteceram nos momentos em que não havia nenhuma responsabilidade. Naqueles dias em que eu e meu pai íamos juntos ao parque, e ele se assentava numa sombra fresca, dava-me uma bola e dizia; “Pode brincar Gil, que eu estou te olhando”. Estes eram dias felizes, em que eu brincava confiante, sabendo que nada de ruim me aconteceria, pois meu pai estava me vendo.
Naquela época uma simples folha de caderno, ou uma tampinha de garrafa, fazia com que eu me alegrasse e entretece durante horas, afinal o que contava mesmo não eram os brinquedos e toda sua complexidade, o que contava mesmo eram os momentos desprovidos, na presença do pai. Hoje, percebo o quanto eu era simples. Não havia exigências nem padrões de qualidade. Apenas a felicidade genuína de quem não se preocupa com o amanhã, vivendo a cada dia o seu mal. E em todo tempo, a alegria de viver.

Infelizmente ao crescermos, deixamos de “viver”. Abolimos os momentos simples e mergulhamos na complexidade indecifrável da rotina. Rotina esta, que pelo aglomerar de afazeres, nos proporciona dinheiro, conforto e estabilidade, mas que não nos traz, a mais bela vertente do amor. A alegria de aceitar-se, e viver crendo, ser amado pelo Pai.

Como seria bom se nós cristãos vivêssemos a vida como se este mundo fosse um parque e Deus o pai que nos trouxe para passear e curtir os momentos em sua presença. Sem responsabilidades e nem afazeres tão urgentes que não possam esperar, porque nada de ruim nos acontecerá, afinal nosso Pai está nos olhando. Não pode haver pressa, nem tristeza, porque estamos no lugar mais extraordinário do mundo. Estamos na presença de nosso Papai. E estando nós, na presença do Pai, o que pode ser tão importante ao ponto de nos fazer sair? Nada. Não há motivos para perturbações, nem angustias, é só brincar e se divertir com a vida.

Quando chegarmos em casa, ai então, trataremos nossos joelhos ralados e descansaremos nossos pés cheios de calos, que só foram percebidos depois, porque exatamente no momento de tais infortúnios a alegria suplantou toda dor e ardor da vida. Porque a dor é na superfície, já a alegria com Deus é no profundo da alma, onde apenas o amor, 'do Deus que é Amor', é capaz de chegar. Deus está te olhando, acene pra Ele e lhe de um sorriso de gratidão. Eu lhe garanto que Ele se ‘orgulha’ em ter você como filho, porque assim Ele o criou.

Eu o convido Hoje, a escolher a melhor parte.